Menino estuprado em SP se escondeu em carro por 2 dias
(Folhapress) O menino de 10 anos vítima de estupro coletivo em São Paulo está confuso, triste e com medo, segundo relato da mãe. Ele foi abusado junto a uma outra criança, de 7 anos, em 21 de abril em São Miguel Paulista, na zona leste, e temeu ataques aos parentes quando o caso veio à tona. Eles tiveram de deixar o bairro.
A família cobra responsabilização. “Estou com muito ódio. Jamais vou perdoar esses agressores”, diz a mãe, que terá a identidade preservada para manter em sigilo a identidade da vítima.
Quatro adolescentes foram apreendidos com ordem judicial, e um adulto, Alessandro Martins dos Santos, 21, foi preso no interior da Bahia sob suspeita de serem os autores do estupro. Ele deve ser trazido a São Paulo nesta terça-feira (5). As defesas deles não foram identificadas pela reportagem.
A região onde a família vivia é de alta vulnerabilidade. Há oito anos, uma irmã de 3 anos do menino foi abusada e morta no bairro junto a outra menina da mesma idade. Dois homens foram identificados e presos.
O novo caso de abuso reacendeu o trauma. “Perdemos minha enteada para a violência sexual. Ela só tinha 3 anos quando foi brutalmente violentada. Nada trará ela de volta e já se passaram oito anos. Agora, acontece com o irmão dela. Meu filho teve sorte de estar vivo”, afirma a mãe.
Sobre o caso mais recente, a mãe conta que o dia começou de forma rotineira: escola pela manhã, almoço e brincadeiras com as crianças da comunidade. Segundo ela, os adolescentes suspeitos eram conhecidos da família. “Brincavam juntos sempre. Os meninos menores sempre iam chamar o meu filho para juntos empinar pipa.”
Já quanto ao suspeito adulto, a mãe disse que não o conhecia.
“As vítimas foram atraídas para esse imóvel porque eles [suspeitos] passaram e falaram ‘entra aqui que tem uma linha’”, afirmou a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk, responsável pelo caso.
A mãe e a avó estranharam quando o menino não retornou para casa. Ele ficou desaparecido por dois dias após a violência, dormindo dentro de um carro abandonado numa pracinha do bairro.
Segundo a polícia e a família, a vítima estava com medo após ameaças feitas pelos agressores.
“Só depois que fizemos um boletim de ocorrência de desaparecimento foi que descobrimos o paradeiro dele. Meu filho ficou escondido num carro abandonado, com medo que os criminosos fossem colocar fogo na nossa casa. Os acusados disseram que iam sumir com ele caso alguém descobrisse a verdade”, diz a mãe.
“Meu filho está com medo, evita tocar no assunto, está triste e confuso. Ele só diz que ficou com medo dos criminosos fazerem maldades com a nossa família”, acrescenta.
A polícia chegou aos envolvidos a partir de imagens do estupro que foram gravadas pelos suspeitos e distribuídas nas redes sociais. Segundo a investigação, nelas aparecem os adolescentes e o homem. Um deles foi encontrado em Jundiaí e os outros três na capital paulista.
Segundo Bruno Matos, presidente do ICAN/SP (Instituto Cultural Atitude Nobre), a região já foi palco, há dois anos, de uma investigação com autoridades internacionais em busca de criminosos sexuais e pedófilos. “O criminoso oferecia cesta básica para os familiares das vítimas, dopava as crianças, abusava delas, gravava toda tortura sexual e vendia para o mercado de pedofilia internacional.”
O inquérito de estupro de vulnerável envolvendo as crianças de duas famílias diferentes está sob responsabilidade do 63º DP (Vila Jacuí). O secretário de Segurança Pública de SP, Nico Gonçalves, destacou a gravidade das evidências obtidas. “As imagens e os gritos ficaram no meu subconsciente.”
