Hantavírus: O vírus letal que embarcou em um cruzeiro: os sintomas, a letalidade e o risco epidêmico do hantavírus

Hantavírus: O vírus letal que embarcou em um cruzeiro: os sintomas, a letalidade e o risco epidêmico do hantavírus

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A confirmação de dois casos de hantavírus pela Organização Mundial da Saúde (OMS) entre pessoas a bordo ou que recentemente desembarcaram de um cruzeiro ancorado em Cabo Verde acende um sinal de alerta, mas não deve ser motivo para pânico.

Até o momento, são sete casos identificados, sendo dois confirmados em laboratório e cinco suspeitos, com três mortes registradas. Os dados mais recentes indicam que um paciente está em estado crítico, enquanto outros três apresentam sintomas leves.

Um aspecto especialmente relevante dessa situação é que ainda não se conhece a origem exata do surto. No entanto, tudo indica que o primeiro indivíduo a adoecer já embarcou no navio infectado. Segundo a OMS, essa pessoa subiu a bordo no dia 1º de abril, apresentou sintomas em 6 de abril e faleceu em 11 de abril.

Esse detalhe é crucial para entender que, como tudo leva a crer, não se trata de um surto iniciado dentro do navio, mas possivelmente amplificado por um ambiente confinado.

Os hantavírus formam uma família de vírus presente em várias partes do mundo e conhecida por causar infecções graves em humanos. Descobertos após um surto entre soldados durante a Guerra da Coreia, em 1951, eles são geralmente transmitidos por urina, saliva e fezes de roedores.

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Em circunstâncias específicas, contudo, como em situações de contato próximo e prolongado. a exemplo de um cruzeiro marítimo, pode ocorrer transmissão entre pessoas. Um dos candidatos a agente desse surto é o Andesvírus, que circula na Argentina e é um dos poucos hantavírus capazes de se espalhar ocasionalmente entre humanos.

A doença costuma se manifestar entre uma e oito semanas após o contato inicial. Os primeiros sintomas são inespecíficos: febre, dor de cabeça, dores no corpo, náuseas, vômitos e dor abdominal.

Em casos mais graves, especialmente associados ao Andesvírus, pode haver insuficiência respiratória, tosse, falta de ar e acúmulo de líquido nos pulmões devido a um intenso processo inflamatório. Outras variantes podem causar sangramentos pulmonares, queda da pressão arterial e insuficiência renal.

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A taxa de mortalidade é elevada e pode chegar a 50%.

Diante desse cenário, é natural o receio de que o vírus se espalhe. No entanto, de acordo com o que se conhece até hoje sobre os hantavírus, a chance de ocorrer uma transmissão sustentada de pessoa para pessoa é muito baixa. Ou seja, não se trata de um vírus com potencial epidêmico amplo.

A principal preocupação, portanto, permanece restrita aos passageiros e tripulantes do navio, justamente por se tratar de um ambiente fechado, onde o contato próximo pode facilitar transmissões pontuais.

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Por essa razão, o risco de uma nova pandemia é considerado improvável. Os casos estão limitados a um ambiente isolado e passível de controle. Os passageiros com sintomas estão sendo ou serão encaminhados a hospitais com leitos de isolamento, reduzindo ainda mais qualquer possibilidade de disseminação para a população geral.

Além disso, os demais ocupantes do navio foram orientados a manter isolamento entre si e a garantir boa ventilação dos ambientes internos.

Os próximos passos devem ser observados com atenção, mas sem alarmismo. Será fundamental acompanhar se surgirão novos casos entre passageiros e tripulantes e, principalmente, se haverá qualquer evidência de transmissão sustentada entre pessoas, algo inédito e que, aí sim, justificaria maior preocupação.

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Até o momento, a OMS não recomenda restrições a viagens internacionais, seja à Argentina ou a qualquer outro país.
Em situações como essa, informação de qualidade, vigilância epidemiológica e respostas proporcionais ao risco real são as melhores ferramentas para evitar tanto a disseminação do vírus quanto a do medo.

* Eduardo Toffoli Pandini é infectologista e autor do livro De Miasmas a Vacinas — Uma História das Doenças Infecciosas

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