Mais de 120 são presos no Equador no 1º dia do toque de recolher
AMÉRICA LATINA
Toque de recolher vale para nove províncias do Equador e restringe circulação de pessoas entre 23h e 5h da manhã
Polícia do Equador (Foto: Divulgação)
(O Globo) Cerca de 120 pessoas foram presas no Equador durante o toque de recolher imposto pelo governo para conter a violência ligada ao narcotráfico, informou a polícia nesta segunda-feira. A medida, que restringe totalmente a circulação por seis horas durante a noite, faz parte da estratégia do presidente Daniel Noboa para enfrentar o avanço das organizações criminosas no país.
Segundo o comandante da polícia, general Pablo Dávila, 124 pessoas foram detidas na primeira noite da restrição, a maioria por descumprir a proibição de circulação.
O toque de recolher, que vai das 23h às 5h (horário local), está em vigor entre os dias 3 e 18 de maio e atinge nove das 24 províncias equatorianas, incluindo Pichincha, onde fica a capital Quito, e Guayas, cuja principal cidade é Guayaquil.
Moradores de áreas mais afetadas pela violência demonstram ceticismo em relação à eficácia das medidas.
— Esse toque de recolher é mais do mesmo, porque avisaram com antecedência que os militares iriam às ruas, e depois, quando saem, a gente os vê durante o dia, e à noite fazem operações nas avenidas principais, mas dentro do subúrbio, onde eu moro, nem aparecem — afirmou à AFP o comerciante Gerardo Gómez, de 45 anos, morador de uma região violenta de Guayaquil.
Ele critica as políticas de linha dura adotadas por Noboa, que, segundo ele, ainda não conseguiram reduzir a criminalidade em um dos países mais violentos da América do Sul.
As restrições também têm impacto econômico. Por causa do toque de recolher, Gómez decidiu fechar mais cedo sua loja de cabos e fones de ouvido, o que afeta sua renda. — Assim não dá para trabalhar. Apoiamos o combate aos criminosos, mas estamos tendo prejuízos — disse à AFP um jovem dono de uma loja de bebidas no norte de Quito, que preferiu não se identificar “por segurança”.
Mais de 50 mil agentes, entre policiais e militares, foram mobilizados para patrulhar as ruas, muitos armados com fuzis, usando balaclavas e veículos blindados.
O Equador enfrenta uma escalada de violência impulsionada por disputas entre facções criminosas que atuam no tráfico de drogas, extorsão e outros delitos, muitas vezes com apoio de cartéis internacionais rivais. Esse cenário transformou o país no mais violento da América Latina, com uma taxa de 51 homicídios por 100 mil habitantes em 2025, segundo a organização Insight Crime.
