Traduzindo as contas: Especialista fala da saúde financeira e explica déficit do Vila

Traduzindo as contas: Especialista fala da saúde financeira e explica déficit do Vila

Os três principais clubes goianienses – Atlético, Goiás e Vila Nova, apresentaram os balanços financeiros do ano de 2025. O Vila Nova ampliou o faturamento de receitas com vendas de jogadores (como Alesson e Jemmes), aumentou o patrimônio e conseguiu apresentar evolução, reduzindo o prejuízo anual de R$ 5.369 milhões para R$ 2.842 milhões (de déficit). Para entender e traduzir os números, buscamos o professor do Curso de Ciências Contábeis da UFG, Mac Daves de Morais Freire.

Confira a demonstração contábil do Vila Nova 2025

De acorco com o documento, o Vila Nova teve uma redução de 47% ao déficit apresentado em 2024. O Tigre investiu mais no elenco, com contratações (e maiores salários), totalizando investimento de R$ 18,5 milhões em direitos econômicos de jogadores (R$ 12 milhões de amortização desses ativos).

Pelo lado de faturamento, um aumento significativo foi na venda de atletas, com arrecadação de cerca de R$ 8,3 milhões líquidos com transferências, com destaque para as saídas de Alesson (R$ 4 milhões), Jemmes (R$ 2.1 milhões), Clayton e Pablo Roberto. 

Explicação sobre o déficit

“Apesar das receitas correntes anuais terem diminuído 28,7% em 2025 (de R$ 53,7 milhões em 2024, para R$ 38,5 milhões em 2025), houve uma melhora significativa na receita extra com negociação de atletas (receita liquida de R$ 8,3 milhões). Isso foi determinante para a diminuição do déficit anual do clube”

Investimento em patrimônio

“Foi registrado um aumento de R$ 4,101 milhões na conta de benfeitorias em imóveis de terceiros, mais um aumento de R$ 19,330 milhões em terrenos recebidos como subvenções (doação feita da area do CT pelo Governo Estadual). As Notas Explicativas não deixam claro quais seriam especificamente os investimentos registrados em imóveis de terceiros”

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– Principais negociações

Vendas
– Alesson – R$ 4,043 milhões

– Jemmes – R$ 2,156 milhões

– Clayton – R$ 1,079 mlhões

– Pablo Roberto – R$ 1,008 milhões

Compras/investimentos:
– André Luis – R$ 1,507 milhões

– João Vieira – R$ 1,288 milhões

– William Prado Camargo – R$ 1,288 milhões

– Diego Torres – R$ 1,235 milhões

– Vinicius Paiva – R$ 1,180 milhões

– Emerson Lima Freitas – R$ 1,133 milhões

– Bruno Xavier – R$ 1.105 milhões

Avaliação da saúde financeira do clube

“Em linhas gerais, o Vila conseguiu reduzir o déficit anual, apesar de ter uma diminuição nas receitas de 2025. Isso indica uma administração de gastos rigorosa, mantendo as despesas do Clube dentro das Receitas anuais, apesar de ter se utilizado de R$ 12,850 milhões da LFU (em 2024 o clube utilizou R$ 19,155 milhões). O clube vem reduzindo, portanto, a dependência da antecipação de receitas para fechar as contas anuais”

“Com relação ao endividamento, houve um acréscimo de R$ 8,493 nas obrigações de curto prazo (Passivo Circulante), onde os destaques foram R$ 2,819 milhões de aumento em empréstimos e financiamentos, R$ 2,910 milhões de compras de atletas, e R$ 1,480 milhões de Obrigações trabalhistas e previdenciárias.

Ainda com relação ao endividamento, o principal valor devido pelo Clube é de empréstimos de conselheiros (R$ 90,565 milhões), o que não gera necessariamente pressão sobre o caixa, pois esses valores geralmente não tem prazo de vencimento estabelecido.

O segundo maior valor devido pelo Clube é de Obrigações trabalhistas e previdenciárias, R$ 29,054 milhões, sendo que desse valor, R$ 25,635 milhões são de débitos previdenciários e FGTS atualizados”

“Na linha dos ativos e investimentos, pouco foi adicionado ao patrimônio físico do Clube, exceto pelo terreno recebido em doação. Na contratação de jogadores, foram investidos no ano R$ 18,507 milhões, sendo desse valor, R$ 12,077 milhões já reconhecidos como despesa corrente de 2025. Há também um acréscimo significativo em direitos a receber, R$ 5,851 milhões, relativos a licenciamento de marcas e valores a receber por venda de jogadores.

“Ao conjugarmos o resultado obtido de diminuição de déficit, pouco aumento de passivos, e investimentos no ativo de maneira conservadora, podemos concluir que a Gestão priorizou a administração e estabilidade das finanças do Clube durante o ano de 2025”

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