10 anos sem Prince: como o cantor desafiou as convenções do que é ser um astro pop
Neste dia, há 10 anos, morria um dos maiores astros do pop oitentista: Prince, encontrado morto em 21 de abril de 2016, após uma overdose acidental de opioides. Nascido em 1958 em Minneapolis, Minnesota, nos Estados Unidos, ele começou sua carreira cedo, aos 18 anos, influenciado pelo passado musical do pai. Munido de uma guitarra, botas longas e roupas chamativas, Prince era em muitos sentidos um artista superlativo: para a crítica, para as paradas musicais e para seus próprios pares — para Elton John, Prince era o maior performer que ele já viu. Pela revista Rolling Stone, foi nomeado o músico com mais dinheiro no mundo em 2004 após o lançamento de Musicology — álbum que lhe rendeu ainda dois prêmios Grammy. Ao lado de Madonna e Michael Jackson, formou parte do trio mais importante para a música pop dos anos 1980.
Parte de sua grandeza tem como fonte uma postura de quem nunca se importou em agradar. A atitude vinha do centro de sua vida — a música — e se dissipava por todo lugar. Talvez o exemplo mais marcante tenha sido a sua luta permanente contra o poder das grandes gravadoras. Dos 18 anos aos 35, Prince manteve um contrato com a Warner, responsável por lançar seus maiores sucessos, como Purple Rain e When Doves Cry. No auge de sua carreira, que compreende os anos iniciais da década de 1980, Prince quis renegociar alguns termos de seu contrato com a gravadora, o que levou a uma série de conflitos e desentendimentos.
Como protesto à resistência da Warner, ele apareceu em público com a palavra “escravo” escrita na lateral do rosto, comparando o regime das gravadoras à escravidão. O protesto ainda levou o cantor a mudar de nome durante 7 anos para um símbolo impronunciável, chamado de “love symbol” (símbolo do amor), que é formado a partir da junção dos símbolos do masculino e do feminino. O argumento para a mudança era de que a gravadora só poderia deter o que fosse gravado e lançado sob o nome ‘Prince’. A dificuldade em pronunciar o nome dificultava ainda a venda e promoção de suas músicas, uma clara forma de punir a gravadora.

Mesmo com as públicas demonstrações de insatisfação, Prince não ganhou a batalha contra a Warner, mas arrumou um jeito de sair por cima: lançou uma série de discos com músicas propositalmente ruins, feitas apenas para cumprir as determinações da gravadora até o fim do contrato. Prince voltou a se chamar Prince publicamente apenas em maio de 2000, quando o contrato com a Warner já tinha chegado ao fim.
Depois do imbróglio com a Warner, Prince resolveu testar opções e assinou diferentes álbuns com diferentes gravadoras, entre elas EMI e MP Media — até fazer uma pausa e criar uma plataforma na internet onde lançava suas músicas por conta própria, acessadas e baixadas mediante assinatura paga. Ainda, alimentava o player com versões inéditas de suas músicas, disponíveis apenas naquele site. Dois álbuns chegaram a ser lançados exclusivamente no NPG: The Rainbow Children e Xpectation. No início dos anos 2000, com a internet ainda em seus primórdios, a ideia de Prince pode ser lida como um protótipo do que hoje é um player de música digital, uma das bases das plataformas de streaming.
Focado em sua própria plataforma, Prince chegou a abrir as portas de sua casa, a mansão Paisley Park, para que fãs o assistissem durante jams e shows informais, além de conversar e debater com eles sobre música. Fãs também eram convidados para tomar café da manhã na casa de Prince, o tornando um ídolo acessível após décadas de estrelismo — e diferente de tudo que se esperava do modelo de um astro pop.
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