“Por Brutos, Johnny e outros”: Protetores fazem manifestação por justiça contra maus-tratos animais

“Por Brutos, Johnny e outros”: Protetores fazem manifestação por justiça contra maus-tratos animais

1 CASO A CADA 4H

Manifestação em Goiânia cobra punição em casos recentes, denuncia omissão e alerta para aumento de maus-tratos registrados na capital

Cães comunitários Brutos e Jhonny, vítimas de violência em Goiânia (Fotos: Reprodução/Redes Sociais)

Protetores de animais, ativistas e moradores de Goiânia organizam uma manifestação às 14h na próxima segunda-feira (13), em frente ao Ministério Público de Goiás, para cobrar justiça para casos recentes de violência contra animais e exigir medidas mais efetivas do poder público. O ato terá como símbolo os casos dos cães comunitários Brutos e Johnny, mas as reinvindicações são voltadas a todos os animais vítimas de maus-tratos. A expectativa é reunir participantes para pressionar autoridades, dar visibilidade ao tema e evitar que novos casos sejam esquecidos.

Protetora independente há mais de 20 anos, Juliana afirma que os episódios recentes apenas escancaram um problema muito maior: “Crimes que acontecem contra animais abandonados e expostos a todo tipo de maldade nas ruas de Goiás e do Brasil apenas acendem a falta de ações concretas, jurídicas e políticas públicas eficientes em prol dos animais. Orelha, Johnny, Brutus não são casos isolados. Diariamente, centenas e milhares de animais sofrem todos os tipos de agressões e violência por toda parte”.

Casos recentes impulsionam mobilização

O caso mais recente e que ganhou grande repercussão foi o do cachorro Brutos, morto com um disparo de arma de fogo no dia 5 de abril, em Goiânia. O autor do tiro, um soldado do Corpo de Bombeiros de 27 anos, foi afastado das funções e teve o porte de arma suspenso após o avanço das investigações conduzidas pelo Grupo de Proteção Animal da Polícia Civil.

Brutos foi morto por bombeiro militar e era cuidado por moradores (Foto: arquivo enviado ao Mais Goiás)

Em depoimento, o militar alegou que atirou para se defender após ser cercado por cães enquanto praticava atividade física nas proximidades do Estádio Serra Dourada. A versão, no entanto, é contestada por moradores e protetores, que afirmam que Brutos era um animal dócil e conhecido na região.

“Pelas imagens e relatos, era um cão tranquilo, acostumado com pessoas, com crianças. Não tinha histórico de agressividade. Isso precisa ser investigado com muito rigor”, afirma Juliana.

Outro caso que também estará no centro da manifestação é o do cachorro Johnny, que teve cerca de 40% do corpo queimado após uma mulher jogar líquido quente enquanto ele dormia em uma calçada, no Setor Castelo Branco. O animal sobreviveu após semanas de tratamento intensivo e já recebeu alta, mas o caso segue sob responsabilidade da promotoria.

Cachorro comunitário conhecido como Johnny está sendo cuidado com apoio da comunidade. (Foto: Divulgação)

“Nós vamos manifestar pelo Johnny, porque queremos que essa pessoa responda pelo que fez. Não dá para aceitar esse tipo de crueldade”, reforça a protetora.

Além desses dois episódios, um terceiro caso recente também causou revolta: um mecânico foi preso em Aparecida de Goiânia após atear fogo em um cachorro. O animal sobreviveu, e o suspeito pode responder por maus-tratos, com pena de até cinco anos de prisão.

Cachorro teve corpo incendiado após brincar com uma criança (Foto: Reprodução)

Problema recorrente e subnotificado

De acordo com dados do Grupo de Proteção Animal (GPA) da Polícia Civil, cerca de 180 denúncias de maus-tratos são registradas por mês em Goiânia, o equivalente a um caso a cada quatro horas. Apesar disso, protetores afirmam que a realidade pode ser ainda mais grave, já que muitos episódios não são denunciados.

“Infelizmente, essas vítimas apenas passam a ser notadas após crimes com grande repercussão na mídia. Outros caem no esquecimento e continuam à mercê da maldade humana, até que o próximo crime ganhe destaque. Esse tipo de crueldade não deve ser normalizado”, reforça Juliana.

Ela também chama atenção para a banalização da violência, especialmente contra animais em situação de rua. “Animais não são da rua. Eles estão na rua porque foram abandonados. E acabam expostos a todo tipo de maldade. Isso é reflexo da falta de políticas públicas e também da omissão da sociedade.”

Cobrança por políticas públicas e responsabilidade coletiva

Para os organizadores do ato, o problema vai além da punição individual e passa pela ausência de ações estruturais. Entre as principais reivindicações estão políticas de controle populacional, campanhas de conscientização e maior rigor na aplicação das leis. Ela também destaca a sobrecarga enfrentada por protetores independentes, que muitas vezes assumem a responsabilidade pelo resgate e cuidado dos animais.

“Hoje a gente vê abrigos lotados, protetores em desespero, fazendo um trabalho que deveria ser de todos. Não dá mais para a sociedade fingir que não é problema dela”, destaca.

Abril Laranja e o alerta contra a normalização

A manifestação acontece durante o “Abril Laranja”, mês dedicado à conscientização sobre maus-tratos contra animais. Ainda assim, os organizadores defendem que o tema precisa ser tratado com prioridade durante todo o ano.

“Não queremos que os animais sejam lembrados só em abril. Queremos dignidade todos os meses e punição para quem comete esses crimes”, diz Juliana.

Ela também reforça que a legislação brasileira já prevê punições para esse tipo de crime, mas que a aplicação ainda precisa avançar: “os animais são protegidos por lei. Maus-tratos são crime. O que falta é fazer essa lei ser cumprida de verdade”.

“Uma coisa que eu tenho observado em todas as matérias é a quantidade de pessoas que apoiam esse tipo de crime ou são omissas. Tem gente que normaliza isso, que acha que tem que matar mesmo. A maioria das pessoas é contra, sim, mas ainda é assustador o número de comentários defendendo esse tipo de atitude. Isso mostra que a gente precisa falar mais, conscientizar mais”, destaca protetora.

Fonte Original Mais Goias

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