Lula percebeu que está isolado e pode ter menos tempo de TV que os adversários na campanha

Os petistas e os ministros do governo tentaram negar, nos últimos dias, negar que o presidente Lula esteja avaliando não disputar a reeleição contra Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e outros nomes de oposição ao campo progressista. A informação da possível desistência de Lula, publicada em março, foi confirmada, nesta quarta, pelo próprio petista.
Lula recuou no discurso de pré-candidato e voltou a dizer que ainda não decidiu se irá disputar as próximas eleições.
O motivo para o passo atrás, segundo aliados de Lula, está no isolamento político vivido pelo petista no governo.
Lula se elegeu em 2022 com o apoio de uma ampla base de partidos que integraram a finada “frente democrática”. Ao chegar ao Planalto, no entanto, Lula isolou os aliados e privilegiou apenas o PT na gestão dos rumos da máquina.
Mal avaliado nas pesquisas e vendo seu capital eleitoral diminuir a cada levantamento, Lula percebeu que não terá mais a chance de reproduzir a tal frente democrática, dado que a democracia não está mais em risco nem será tema da eleição — a maior preocupação dos eleitores é com a onda de corrupção que voltou com o governo petista.
Sem partidos para montar uma chapa forte, Lula tem hoje um cenário em que será apoiado por siglas de baixo arrasto político como Psol, PCdoB, PDT e PSB. Isso significa que, na divisão de tempo de televisão para campanha, o presidente em exercício poderá ficar com menos tempo de TV que alguns desafiantes, algo bem fora da realidade a que Lula sempre esteve acostumado, desde que chegou ao Planalto.
Em 2024, o Radar mostrou que havia um plano B sendo construído no PT em torno de Camilo Santana, ex-governador petista e ex-ministro da Educação. A ideia seria colocar Camilo de vice de Lula, caso tudo desse certo no atual governo.
Como caminha para liderar uma campanha sem poder de fogo no horário eleitoral gratuito, Lula anunciou na última semana que Camilo começaria a correr o Brasil para se tornar conhecido e para buscar “novos voos”. Em outras palavras, se Lula sentir que entrará para perder, o substituto já está anunciado.
