A reação argentina após pai de advogada repetir gesto racista que a levou à prisão no Brasil

Menos de 24 horas depois de Agostina Páez retornar à Argentina depois de dois meses detida no Brasil, o pai da advogada que virou réu por injúria racial repetiu o gesto racista da filha em seu país. O ato do empresário Mariano Páez gerou repercussão na imprensa local, e estampou as capas dos principais jornais argentinos.
Lopez foi flagrado em vídeo imitando um macaco em um bar em Santiago del Estero, no Norte do país. Em uma matéria de destaque, o jornal La Nación classificou o caso como “um escândalo sem fim”, destacando que o gesto de Páez foi o mesmo que desencadeou a ação penal contra a filha no Brasil. O Clarín, por sua vez, disse que a atitude do empresário é “uma provocação de um pai que não aprende”.
Segundo a imprensa argentina, o vídeo teria sido gravado na madrugada de sexta-feira, poucas horas após o retorno de Agostina ao país. Antes de deixar o Brasil ruma à terra natal, a argentina negou ser racista, mas se disse da forma como reagiu à situação no bar. Com a repercussão das ações do pai, ela atestou nas redes sociais que não tem “absolutamente nada a ver com o que está circulando” e classificou as imagens como “lamentáveis”. “Só posso responder pelas minhas próprias ações”, escreveu ela.
Entenda o caso
Segundo a denúncia, a turista se envolveu em uma discussão com o gerente do bar, motivada por um suposto erro no pagamento da conta, em 14 de janeiro. A vítima das ofensas, então, foi verificar as imagens de câmeras de segurança e solicitou que a mulher permanecesse no local até a situação ser resolvida. Os xingamentos racistas, então, começaram e foram gravados pelo funcionário.
A advogada chamou trabalhadores do bar de \”negro\” no sentido pejorativo e, mais tarde, ao deixar o local, falou \”mono\” (macaco, em espanhol). Um vídeo mostra o momento em que ela aparece, já na rua, imitando os sons e movimentos de um macaco, enquanto uma outra mulher tenta levá-la embora.
Agostina chegou a ser presa, mas foi liberada horas depois mediante o cumprimento de medidas cautelares como retenção de passaporte, uso de tornozeleira eletrônica e proibição de deixar o país. Ela foi liberada para retornar a Buenos Aires na última quarta-feira, 1°, depois de pagar um caução equivalente a 60 salários mínimos (cerca de R$ 97 mil).
No Brasil, o crime de injúria racial é equiparado ao de racismo, com pena de prisão de 2 a 5 anos, além do pagamento de uma multa. Ela seguirá respondendo o processo na Argentina, e, se condenada, cumprirá a pena em seu país natal.
