A vitória contra a Croácia não esconde as fragilidades da seleção

A vitória contra a Croácia não esconde as fragilidades da seleção

Para que serviram os dois amistosos da seleção brasileira contra a França e a Croácia, os dois últimos jogos antes da convocação final de Carlos Ancelotti para a Copa do Mundo? Para pouca coisa  – é o que revelou a magra vitória do time de Vinicius Jr. ante a esquadra de Luka Modric por 3 a 1. Sim, ao menos na movimentação de ataque, na noite de terça-feira em Orlando, a canarinho soou mais encaixada, apesar da finalização descalibrada. Luis Henrique, embora de atuação modesta, parece ter cavado uma vaga na mente de Ancelotti, sem dúvida. Danilo Santos fez um golaço. Vinicius Jr. foi enfim o Vinicius Jr. do Real Madrid na jogada do primeiro gol. E o que mais? Endrick entrou bem em campo. O produto final da chamada Data Fifa é a evidente ducha de água fria cuja marca foi a derrota por 2 a 1 contra a França, de toque de bola envolvente, como se fosse o Brasil de antigamente. Página virada, agora, e é triste perceber que já não temos um armador com a elegância e inteligência de Modric, de 40 anos  – ainda que o veterano tenha andado em campo, distraído.

Uma outra constatação: Ancelotti, que sempre teve os pés no chão, parece ter caído na real, e na véspera do duelo contra a Croácia deu a deixa: “Os últimos dois Mundiais que o Brasil ganhou foram por uma fantástica conexão pelo talento e defesa. Felipão usou três zagueiros, Parreira armou um time muito forte em 1994 para aproveitar Romário e Bebeto”. E avançou: “A história fala muito claro: ter talento e defender bem. Estou convencido de que ganha quem sofrer menos gols e não quem faz mais”. Ou seja, para quem ensaiava pôr o time para a frente, houve um recuo. E lá vai o Brasil para a Copa fechado, fechadinho – e não há mesmo outro caminho. 

Contudo, cabe lembrar que nos títulos mundiais de 1970, 1994 e 2002, a seleção embarcou para os torneios sem muita credibilidade. Zagallo parecia desmontar as “Feras” do Saldanha, ao inventar de pôr em campo quatro “camisas 10” de seus times, ainda que não levassem o número às costas: Pelé, Gerson, Rivellino e Tostão. Deu no que deu, é claro. Em 1994, Romário salvou a classificação pelas eliminatórias na última partida, contra o Uruguai, no Maracanã. Parreira, logo no primeiro jogo nos Estados Unidos tirou Raí, que não voltaria mais para o onze titular. Em 2002, houve até uma derrota para Honduras na Copa América de 2001. Um outro detalhe: as seleções campeãs só jogaram mesmo as Copas, mas antes e depois inexistiam, e nem mesmo no papel foram desenhadas. Resumo da ópera: os escolhidos de Ancelotti podem vir a funcionar, ainda que agora exista pouca luz no fim do túnel. Vai que encaixam em junho e julho, e não custa ter esperança.

Tudo somado, o Brasil será montado em 18 de maio, com a lista final, e depois em um amistoso contra o Panamá, em 31 de maio, no Maracanã, sem autorizar sonhos. Não é ainda um pesadelo, apesar da fragilidade da equipe. As lições contra França e Croácia, contudo, são preocupantes. Ok, a narração de Luís Roberto na Globo dava a entender, contra os croatas, estarmos em final de Copa do Mundo, ufanista e espetacularizada como nunca. Calma. Foi bom jogo, Vinicius Jr. apareceu, Endrick demonstrou ser importante, mas ainda é resultado tímido para as ambiçoes do hexa, a dois meses da estreia contra o Marrocos.

 

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