Projeto de lei que prevê pena de morte para palestinos segue para votação final em Israel

Projeto de lei que prevê pena de morte para palestinos segue para votação final em Israel

Ler Resumo

Um projeto de lei que prevê a pena de morte para palestinos condenados por terrorismo avançou para votação final no parlamento de Israel, o Knesset. A medida foi aprovada pelo Conselho de Segurança Nacional Parlamentar nesta terça-feira, 25, mesmo sendo alvo de críticas de opositores e de grupos de direitos humanos. 

O país aboliu a pena de morte por assassinato em 1954. De lá para cá, a única pessoa executada por um julgamento civil foi Adolf Eichmann, um dos arquitetos do Holocausto nazista, em 1962. Agora, a proposta do partido de extrema-direita Otzma Yehudit amplia a penalidade para aqueles que assassinarem israelenses com o objetivo de prejudicar o Estado de Israel.

A primeira leitura da peça no Knesset estabelece um amplo critério para a execução, apontando que qualquer pessoa que matar um cidadão de Israel “deliberadamente ou por indiferença, por motivo de racismo ou hostilidade contra uma população, e com o objetivo de prejudicar o Estado de Israel e o renascimento nacional do povo judeu em sua pátria, será condenada à morte”.

Críticos apontam que o texto da lei é problemático, uma vez que parece estabelecer, na prática, que a pena de morte só será aplicada a palestinos que matem judeus, e não o contrário. “Uma maioria de 39 membros do Knesset israelense aprovou em primeira leitura um projeto de lei que, na prática, obriga os tribunais a impor a pena de morte exclusivamente contra palestinos”, disse a diretora sênior da Anistia Internacional, Erika Guevara Rosas.

+ Israel avança com projeto de lei que prevê pena de morte a palestinos condenados por homicídio

Próximos passos

Se aprovada, a medida permitirá que tribunais israelenses imponham a pena de morte sem um pedido formal do Ministério Público. A norma também estabelece que uma maioria simples é necessária para sancionar a decisão, não exigindo unanimidade. O novo regramento seria válido tanto para o território de Israel quanto para a Cisjordânia ocupada, onde tribunais militares aplicariam a lei.

Continua após a publicidade

Uma vez condenados, os suspeitos seriam mantidos em uma instalação separada e sem direito a visitas, com exceção de pessoal autorizado. Eles permaneceriam isolados até a execução, que deverá acontecer em até 90 dias após a sentença que, de acordo com a emissora pública KAN, será aplicada por enforcamento.

Em clara referência ao método de execução, apoiadores do projeto passaram a utilizar um broche em forma de forca — entre eles, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, mais proeminente defensor da legislação. De acordo com Ben-Gvir, o enforcamento é “uma das opções” para a aplicação da pena, que também tem como alternativas a cadeira elétrica ou a “eutanásia”.

Apesar da euforia de políticos da extrema-direita com a possibilidade de aprovação da lei, autoridades militares e governamentais têm repetidamente alertado que a medida pode violar o direito internacional. Segundo os ministérios da Justiça e das Relações Exteriores, comandantes israelenses podem ficar expostos a mandados de prisão no exterior caso o Knesset dê sua chancela a tal política.

Source link

Ultimas Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *