O plano de reação do Centrão a eventuais condenações no caso Master

O plano de reação do Centrão a eventuais condenações no caso Master

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O avanço das investigações sobre o escândalo do Banco Master e a possibilidade de Daniel Vorcaro contar seus segredos têm provocado pânico em representantes das cúpulas dos Três Poderes, como mostra reportagem de capa da nova edição de VEJA.

O motivo é simples: uma pequena amostra do que já foi descoberto revelou que fundos de previdência de servidores públicos estaduais, comandados por apadrinhados de políticos poderosos, investiram fortunas no Master, como ocorreu com a fundação do Amapá, chefiada por um nome da confiança do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Também foi divulgado que um fundo ligado ao Master fechou um negócio milionário com uma empresa da família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, e que o próprio Vorcaro, segundo o jornal O Globo, pediu ajuda ao ministro Alexandre de Moraes no dia em que foi preso pela primeira vez, em novembro passado.

O ex-banqueiro também teve reuniões no Palácio do Planalto, inclusive com o presidente Lula. No Congresso, contou com o empenho do senador Ciro Nogueira — presidente do PP e chefe da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro — para aprovar emendas de interesse do Master. A rede de relação de Vorcaro abarcava Executivo, Legislativo e Judiciário e não fazia distinção entre direita e esquerda.

Cada um por si

Hoje, autoridades conversam sobre como abafar as investigações. Numa tentativa de baixar a pressão sobre o tribunal, ministros do STF tiraram Dias Toffoli da relatoria do caso Master. O próprio magistrado, pressionado dentro e fora da Corte, finalmente se declarou suspeito para julgar assuntos relacionados ao tema.

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Há ainda chance de Dias Toffoli sair de licença médica para preservar o cargo e a imagem do tribunal, já devidamente abalada. Nenhum colega aventa a possibilidade de ele ser punido. O mesmo vale para Alexandre de Moraes, cuja esposa fechou um contrato de 129 milhões de reais com o Master.

Segundo reportagem do jornal O Globo, Vorcaro trocou nove mensagens com Moraes quando já sabia que havia uma ordem de prisão contra ele. Nelas, além de prestar informações sobre negociações para salvar o banco, perguntava ao magistrado: “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. E insistia: “Alguma novidade?”.

A VEJA, um ministro minimizou as conversas entre Vorcaro e Moraes, declarando que elas seriam uma mera imprudência, sem consequência criminais. Ele acrescentou que o grosso do problema estaria em outras frentes, do Congresso ao Executivo, passando pelo Banco Central.

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O presidente Lula, como se sabe, tem tentando se desvencilhar da confusão. Já os parlamentares resistem de antemão à ideia de serem sacrificados para saciar a sede de justiça decorrente da maior fraude bancária da história brasileira. Eles alegam que, até aqui, só foi descoberto repasse de dinheiro grosso do Master para a empresa da família Dias Toffoli e para o escritório da esposa de Alexandre de Moraes.

Diante disso, líderes do Centrão afirmam que se houver punição a deputado ou senador ela será precedida ou acompanhada de impeachment de ministro do Supremo. Além de pânico, Brasília está tomada por ameaças.

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