EUA coletaram informações e avaliam classificar facções como terroristas, relata promotor

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, um dos principais investigadores do crime organizado no país, afirmou que o governo dos Estados Unidos avalia classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Segundo ele, emissários ligados ao secretário de Estado Marco Rubio estiveram no Brasil para reunir informações sobre a atuação internacional desses grupos.
Em entrevista ao programa Ponto de Vista, de VEJA, Gakiya disse que recebeu em São Paulo assessores do Departamento de Estado interessados em compreender a estrutura e o alcance do Primeiro Comando da Capital. As reuniões, segundo ele, tiveram caráter técnico e servem para subsidiar um relatório que será encaminhado à equipe do presidente Donald Trump.
“Eles estavam reunindo informações para elaborar um relatório que será encaminhado ao secretário de Estado e pode subsidiar qualquer decisão do presidente”, afirmou.
De acordo com o promotor, o movimento indica que Washington estuda dar um passo além das medidas já adotadas contra a facção. O PCC já foi incluído em uma lista de sanções do Tesouro americano que permite o bloqueio de bens e contas de pessoas ligadas ao grupo nos Estados Unidos.
Gakiya disse que a visita dos emissários americanos mostrou que o governo dos EUA considera a possibilidade de ampliar esse enquadramento. “Nós já entendíamos que possivelmente os Estados Unidos podem classificar o PCC como organização terrorista”, afirmou.
A eventual decisão, no entanto, pode ter impactos na cooperação internacional no combate ao crime organizado. O promotor avalia que a classificação como grupo terrorista mudaria o tratamento do tema dentro do governo americano, que passaria da esfera policial para a de segurança de Estado, envolvendo agências como a CIA e até estruturas militares.
Para Gakiya, embora as facções brasileiras pratiquem atos de extrema violência, elas não se enquadram tecnicamente como terrorismo. Na avaliação do promotor, organizações como o PCC e o Comando Vermelho têm perfil mafioso e atuam sobretudo com objetivos econômicos ligados ao controle de mercados ilícitos. “Elas não têm objetivo ideológico ou político, que é um elemento central para caracterizar terrorismo”, disse.
