Guerra no Oriente Médio provoca corrida por combustível na Ásia

Guerra no Oriente Médio provoca corrida por combustível na Ásia

A escalada militar envolvendo o Irã no Oriente Médio já começa a provocar efeitos concretos a milhares de quilômetros de distância. No Sri Lanka, motoristas formaram longas filas em postos de combustível após temores de que o conflito possa interromper o fornecimento global de petróleo.

O movimento ocorreu mesmo após o governo afirmar que o país tem estoques suficientes de diesel e gasolina para cerca de um mês. A corrida aos postos foi motivada mais pelo medo de uma nova crise energética do que por uma falta imediata de combustível.

“Há combustível. As pessoas estão entrando em pânico por causa da guerra e elas mesmas estão criando essas filas”, disse o motorista Mohammed Aslem, de 36 anos, enquanto aguardava para abastecer em Colombo.

O episódio revela como economias mais frágeis e altamente dependentes de importações energéticas são particularmente vulneráveis a choques geopolíticos.

Memória recente de uma crise profunda

O temor coletivo tem raízes recentes. Em 2022, o Sri Lanka enfrentou uma das piores crises econômicas de sua história moderna. O país ficou sem reservas em dólares para pagar importações básicas, incluindo combustível, alimentos e medicamentos.

Durante meses, moradores enfrentaram filas quilométricas para comprar gasolina. O colapso energético levou a protestos massivos que culminaram na queda do então presidente Gotabaya Rajapaksa.

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Agora, qualquer notícia de instabilidade no mercado de petróleo rapidamente desperta lembranças daquele período.

Dependência externa torna país vulnerável

Com cerca de 22 milhões de habitantes, o Sri Lanka depende quase totalmente de combustíveis importados. No ano passado, o país gastou cerca de US$ 3,8 bilhões com a compra de petróleo e derivados, principalmente da Índia e de centros de trading em Singapura.

Além disso, o país tem capacidade limitada de armazenamento. Na prática, consegue manter estoques suficientes apenas para algumas semanas. Autoridades afirmam que novos carregamentos já estão confirmados para os próximos meses.

Mesmo assim, a percepção de risco é suficiente para alterar o comportamento da população.

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Para conter o pânico, o governo intensificou a distribuição de combustível e proibiu o abastecimento de galões e recipientes extras, numa tentativa de evitar estocagem doméstica.

Guerra ameaça um dos principais gargalos do petróleo

O nervosismo também reflete um temor maior: a possibilidade de interrupção no fluxo global de petróleo caso o conflito se intensifique.

Uma das preocupações centrais é o Estreito de Ormuz, passagem estratégica entre o Golfo Pérsico e o Oceano Índico por onde circula cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.

Qualquer bloqueio nessa rota pode provocar disparada nos preços e dificuldades de abastecimento global.

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Nas últimas semanas, o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel elevou as tensões na região e provocou forte volatilidade no mercado energético.

Analistas apontam que a crise já levou a uma alta expressiva nos preços do petróleo e pode afetar especialmente países asiáticos, que dependem fortemente das importações de energia do Oriente Médio.

Efeito dominó na economia global

O impacto não se limita ao Sri Lanka. Segundo especialistas, cerca de 20% da oferta mundial de petróleo e gás natural pode ser afetada caso as tensões militares interrompam exportações da região.

O conflito já levou à suspensão parcial de fluxos energéticos e elevou os preços internacionais do petróleo em mais de 25%, pressionando governos e aumentando o risco de inflação em vários países.

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Para economias mais ricas, o impacto tende a ser absorvido por reservas estratégicas e diversificação de fornecedores. Já países com menor capacidade financeira e pouca infraestrutura de armazenamento — como o Sri Lanka — ficam mais expostos a choques.

Crise energética como alerta estrutural

Para analistas do setor, o episódio funciona como um lembrete da fragilidade energética de muitas economias emergentes.

Dependência de combustíveis fósseis importados, infraestrutura limitada de armazenamento e baixa diversificação energética tornam esses países altamente sensíveis a crises geopolíticas.

No Sri Lanka, a simples possibilidade de uma nova escassez já foi suficiente para provocar filas nos postos — um sinal de que a memória da crise ainda está viva.

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