Trump ameaça ataque ‘vinte vezes mais forte’ se Irã bloquear fluxo de petróleo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou o Irã com ataques ‘vinte vezes mais fortes’ caso o país atue para interromper a passagem de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
“Se o Irã fizer qualquer coisa que interrompa o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, será atingido pelos Estados Unidos da América VINTE VEZES MAIS FORTEMENTE do que foi atingido até agora”, escreveu o republicano na rede Truth Social. “Além disso, acabaremos com alvos facilmente destruíveis e será praticamente impossível que o Irã volte a se reconstruir, como nação, novamente — Morte, Fogo e Fúria cairão sobre eles — Mas eu espero e rezo para que isso não aconteça!”
“Este é um presente dos Estados Unidos da América para a China e para todas as nações que utilizam intensamente o Estreito de Ormuz. Esperamos que seja um gesto que seja muito apreciado”, finalizou.
Petróleo
Mais cedo, Trump afirmou que seu governo irá “suspender algumas sanções relacionadas ao petróleo para reduzir preços”. A medida segue a disparada de preços, depois do barril ultrapassar US$ 100 pela primeira vez desde 2022 devido ao conflito no Oriente Médio, desencadeado por ataques americanos e israelenses ao Irã.
Trump não especificou quais sanções serão suspensas. Fontes ouvidas pela agência Reuters, no entanto, afirmaram que Washington está considerando aliviar as sanções ao petróleo russo e liberar estoques emergenciais de petróleo bruto.
Em resposta aos ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel, que começaram em 28 de fevereiro, o Irã iniciou uma ampla campanha retaliatória contra o território israelense e as nações do Golfo que abrigam bases militares americanas. Embora o regime dos aiatolás tenha negado que as ricas monarquias sejam seu alvo, que seria restrito apenas a ativos ligados a Washington (como as bases, embaixadas e consultados atingidos), autoridades árabes afirmaram à emissora americana NBC News que a saraivada contra instalações petrolíferas é proposital e visa aumentar os preços globais de energia para pressionar a Casa Branca e o governo israelense a interromperem o conflito.
Mais cedo, o presidente americano tentou minimizar a alta, escrevendo nas redes sociais que os preços do petróleo a curto prazo “cairão rapidamente quando a destruição da ameaça nuclear iraniana terminar”.
Embora o republicano tenha prometido reduzir a inflação e os custos de energia durante a campanha eleitoral de 2024, ele afirmou na noite de domingo 8 que a alta nos preços do petróleo era “um preço muito pequeno a se pagar pela segurança e paz mundial”. Para ele, esta seria uma consequência “de curto prazo” da guerra contra o Irã.
“Os preços do petróleo a curto prazo, que cairão rapidamente quando a ameaça nuclear iraniana for eliminada, são um preço muito pequeno a pagar pela segurança e paz dos Estados Unidos e do mundo. SÓ OS TOLOS PENSARIAM DIFERENTE!”, escreveu ele em sua rede, a Truth Social, com as habituais letras maiúsculas.
Enquanto isso, o regime iraniano alertou que a continuação dos ataques dos Estados Unidos e Israel poderiam elevar ainda mais os preços. Um porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico do país, declarou: “Se vocês toleram o petróleo a mais de US$ 200 o barril, continuem com esse jogo”.
A grave interrupção no fornecimento de energia da região ameaça aumentar os preços para consumidores e empresas em todo o mundo. Em seguida, o aumento da inflação pode levar a menos cortes nas taxas de juros pelos bancos centrais. As bolsas de valores na Ásia, no Reino Unido e na Europa continental abriram em queda nesta manhã devido às preocupações de investidores com uma crise de abastecimento provocada pela guerra iniciada há dez dias por ataques americanos e israelenses ao Irã. O petróleo Brent, referência internacional, subiu a um pico de 29%, atingindo US$ 119,50 o barril no início do pregão desta segunda, mas depois recuou para US$ 106,73.
Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, que controla junto a Omã a rota por onde passam 20% do petróleo e gás comercializados no mundo inteiro, colocou pressão sobre mercados internacionais e fez disparar o preço do barril. Dados da consultoria de análise marítima Kpler, publicados na semana passada, indicam que o tráfego de petroleiros pela rota vital caiu 90% desde o início do conflito.
Em meio à pressão econômica, o G7 convocou uma reunião para que os ministros das Finanças do grupo dos sete países mais ricos do mundo discutam medidas para baixar o preço do petróleo. Após conversas, o ministro das Finanças francês, Roland Lescure, anunciou que as potências decidiram ainda não liberar reservas emergenciais de petróleo.
Em declaração conjunta após a reunião, os ministros das Finanças do G7 afirmam estar prontos para apoiar as redes globais de energia, mas “por enquanto não” recorreram à liberação dos estoques de petróleo. “Estamos prontos para tomar as medidas necessárias, inclusive para apoiar o fornecimento global de energia, como a liberação de reservas”, disse o texto, sem indicar nenhuma ação concreta.
Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), participou da reunião do G7 e afirmou que todas as opções foram discutidas, “incluindo a disponibilização das reservas emergenciais de petróleo” geridas pela agência ligada à OCDE e seus 32 membros.
De acordo com reportagem do jornal britânico Financial Times, os Estados Unidos e outros três países do G7 defendem a liberação, que poderia estar na faixa de 300 a 400 milhões de barris (25% a 35% dos 1,2 bilhão de barris em reserva). O sistema de estoque foi criado como parte da fundação da AIE em 1974, após o primeiro choque do petróleo causado pelo embargo árabe, que provocou uma crise de combustíveis no Ocidente. Desde então, houve cinco liberações coletivas das reservas, sendo as duas últimas em resposta à invasão da Ucrânia pela Rússia.
Guerra ‘praticamente’ concluída
Nesta segunda, Trump afirmou que a guerra contra o Irã está “praticamente concluída”, indicando que “não sobrou nada do ponto de vista militar”.
O conflito desencadeado por ataques americanos e israelenses ao Irã entrou no 10º dia nesta segunda. À época, o republicano disse que ataques poderiam durar de quatro a cinco semanas.
“Acho que a guerra está praticamente concluída. Eles não têm Marinha, não têm comunicações, não têm Força Aérea”, disse Trump em entrevista à emissora americana CBS. “Os drones estão sendo destruídos por toda parte, inclusive as fábricas de drones. Se você olhar, não sobrou nada”.
Pouco depois, em fala à imprensa na Casa Branca, ele reforçou que trata-se de uma “incursão de curto prazo”. Questionado por um repórter se previa o fim das operações militares americanas nesta semana ou em poucos dias, Trump respondeu: “Acho que sim”.
“Veja bem, tudo o que eles tinham se foi, inclusive a liderança”, disse ele. “Na verdade, havia dois níveis de liderança, e até mesmo, como se constatou, mais do que isso. Mas dois níveis de liderança se foram”.
A fala, no entanto, contrasta com declarações do lado iraniano. Nesta segunda, o Ministério das Relações Exteriores iraniano voltou a rejeitar um cessar-fogo com Estados Unidos e Israel, após a escolha de Mojtaba Khamenei como líder supremo e sucessor de seu pai, Ali Khamenei, assassinado no início do conflito.
O porta-voz da pasta, Esmaeil Baghaei, afirmou que o Irã não começou a guerra e que discutir uma trégua seria impossível enquanto ainda estivesse sob ataque constante. “Estamos no décimo primeiro dia de agressão militar por parte dos Estados Unidos e do regime sionista. Não começamos esta guerra”, declarou Baghaei a jornalistas. “A agressão militar continua e, portanto, nesta situação, há pouco espaço para falar sobre qualquer coisa além de defesa e uma resposta contundente ao inimigo”, acrescentou, afirmando que o Irã mantém 100% do foco na defesa do país.
No domingo 8, antes mesmo de Mojtaba Khamenei ser anunciado como líder supremo, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, já havia rechaçado os apelos por um cessar-fogo. Durante entrevista à emissora americana NBC News, ele declarou que seu país precisa “continuar lutando pelo bem do nosso povo”.
Os Estados Unidos e Israel “estão matando nosso povo, estão matando estudantes, estão atacando hospitais”, disse o diplomata, taxando ambos países de não confiáveis por terem violado a trégua firmada para encerrar uma guerra semelhante, que durou 12 dias, em junho de 2025. “E agora vocês querem pedir um cessar-fogo novamente? Isso não funciona assim”.
“É preciso haver um fim permanente para a guerra”, defendeu Araghchi. “A menos que cheguemos a isso, acho que precisamos continuar lutando pelo bem do nosso povo e pela nossa segurança”.
