Em rápido crescimento, obesidade deve atingir 228 milhões de crianças e jovens até 2040

Em rápido crescimento, obesidade deve atingir 228 milhões de crianças e jovens até 2040

A rápida escalada de casos de obesidade entre crianças e adolescentes no mundo foi o foco da nova edição do Atlas da Federação Mundial da Obesidade (WOF, na sigla em inglês) diante da estimativa de que, até 2040, a doença deve atingir 228 milhões de pessoas da faixa de 5 a 19 anos. Os dados atuais já podem ser considerados alarmantes e, apenas no Brasil, 16,5 milhões de pessoas no grupo infantojuvenil se enquadra nessa condição.

A preocupação com o aumento da obesidade nessa população tem como base o salto estimado de 177 milhões de casos em 2025 para 228 milhões em 2040. O número pode chegar a 507 milhões se os jovens com sobrepeso entrarem na conta. Assim, uma em cada quatro crianças ao redor do mundo viverá com Índice de Massa corporal (IMC) elevado e suas consequências deletérias para a saúde.

A obesidade por si só é uma doença e esse quadro abre portas para condições igualmente graves. Entre crianças e adolescentes, eleva-se o risco de casos de complicações cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais (AVCs), diabetes e problemas no fígado em idade precoce e persistentes ao longo da vida adulta.

“A exposição ao excesso de peso desde a infância está associada a um risco maior e mais precoce de apneia do sono, piora de asma e problemas ortopédicos. Ela se relaciona também com a maior incidência de diversos tipos de câncer, como colorretal, fígado e pâncreas”, explica Bruno Halpern, vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e presidente eleito da WOF para o biênio 2027–2028.

E os problemas vão além. “Há ainda impactos psicossociais, com mais estigma, bullying e pior qualidade de vida. Um efeito que tende a se acumular, pressionando a demanda por cuidado ao longo do ciclo de vida e ampliando custos evitáveis para famílias e sistemas de saúde”, completa Halpern.

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O rápido avanço da obesidade entre crianças e adolescentes é um reflexo de hábitos que contribuem para o acúmulo de gordura corporal, como o sedentarismo amplificado pela exposição às telas e alimentação rica em ultraprocessados.

“Sem medidas urgentes, o aumento das taxas de obesidade vai impor uma pressão crescente sobre os sistemas de saúde, as comunidades e as gerações futuras”, alertaram os líderes da federação em carta que acompanha o levantamento.

Neste cenário, a WOF estima que o número de crianças com obesidade deve superar a população infantojuvenil com baixo peso já em 2027. No ano passado, um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) apontou que essa inversão já é uma realidade em quase todo o mundo. Os dados mostraram que, pela primeira vez, a desnutrição atingiu níveis inferiores aos de peso elevado, exceto na África Subsaariana e no Sul da Ásia.

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Aumento de doenças

Até 2040, é possível que as crianças e adolescentes já estejam enfrentando doenças relacionadas com a obesidade normalmente observadas em idades mais avançadas.

A projeção indica que 124 milhões de jovens deverão ter sinais de doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica — ou MASLD –, mais conhecida como “gordura no fígado”, e 43 milhões podem apresentar pressão arterial elevada, a hipertensão.

Para Fábio Trujilho, presidente da Abeso, os países precisam implementar medidas para conter o crescimento da doença a partir de ações que ataquem as principais causas da obesidade nessa população.

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“Os dados do Atlas mostram falhas nas políticas de enfrentamento à obesidade e também um ambiente obesogênico. Crianças estão sendo expostas a riscos evitáveis e os governos não estão agindo à altura. É o caso da inatividade física. Em 95% dos países, mais de 75% dos adolescentes não conseguem cumprir a carga mínima de atividade física exigida”, avalia. “Bebidas açucaradas estão sendo consumidas em excesso em pelo menos 134 países, além disso, muitos países têm falta de monitoramento, ou seja, não realizam pesquisas para levantar o número de pessoas acima do peso, principalmente entre crianças e adolescentes, o que se torna um problema invisível.”

Ato de conscientização

Em um chamado à conscientização pelo Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, uma cerimônia será realizada às 20h30 desta quinta-feira, 5, no Santuário Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

Na ocasião, o monumento será iluminado com a cor roxa. A iniciativa é da Abeso, Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e Consórcio Cristo Sustentável.

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