Efeito dominó global: escândalo Epstein derruba diplomatas, empresários e pressiona governos

Efeito dominó global: escândalo Epstein derruba diplomatas, empresários e pressiona governos

Mais de duas semanas após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgar uma nova leva de documentos ligados ao financista Jeffrey Epstein, o impacto político continua a se espalhar, sobretudo na Europa.

O material, com mais de 3 milhões de registros, reúne anos de correspondências, fotos e anotações que detalham a rede de relações do empresário, condenado por exploração sexual de menores e morto em 2019 em uma prisão federal de Nova York.

Epstein havia se declarado culpado em 2008 por aliciamento de prostituição, inclusive envolvendo uma menor.

Em 2019, foi preso sob acusação federal de tráfico sexual e morreu sob custódia, em caso oficialmente tratado como suicídio. Ao longo dos anos, dezenas de vítimas relataram abusos na Justiça e em investigações parlamentares.

A divulgação recente reacendeu questionamentos sobre o grau de proximidade entre Epstein e figuras do alto escalão político, empresarial e cultural.

Na Europa, o efeito foi imediato: renúncias, abertura de inquéritos por corrupção e investigações sobre eventual má conduta no exercício de funções públicas. Nos Estados Unidos, embora também haja repercussão, as consequências institucionais foram mais limitadas.

A seguir, os principais nomes atingidos pela nova onda de revelações.

Continua após a publicidade

Peter Attia

Médico e especialista em longevidade, Attia deixou cargos em empresas de suplementos alimentares após a divulgação de e-mails com teor considerado impróprio trocados com Epstein. Em mensagens de 2015 e 2016, ele mantinha tom informal e por vezes vulgar com o financista.

Attia afirmou em rede social que jamais participou de atividade criminosa e que suas interações não tinham relação com os crimes cometidos por Epstein. Empresas com as quais colaborava anunciaram seu desligamento.

Sultan Ahmed bin Sulayem

O empresário dos Emirados Árabes Unidos renunciou à presidência da DP World, gigante global de logística portuária. E-mails divulgados mostram troca de mensagens amistosas entre ele e Epstein, incluindo referências pessoais.

Continua após a publicidade

A companhia confirmou a saída imediata do executivo. Embora o comunicado não mencione Epstein, grupos financeiros haviam pressionado a empresa após a divulgação das mensagens.

Sarah Ferguson

A ex-duquesa de York viu sua organização beneficente suspender atividades por tempo indeterminado. E-mails revelam que ela manteve contato com Epstein após a condenação dele em 2008.

Ex-mulher de Andrew Mountbatten-Windsor, Ferguson já havia admitido publicamente, em 2011, que cometeu um “erro de julgamento” ao se aproximar de Epstein, de quem chegou a receber empréstimo para quitar dívidas.

Lawrence H. Summers

Continua após a publicidade

Ex-secretário do Tesouro dos EUA e ex-presidente da Universidade Harvard, Summers se afastou de compromissos públicos e deixou o conselho da OpenAI após o Congresso americano divulgar documentos que indicam amizade próxima e troca frequente de e-mails com Epstein até 2019.

Em nota anterior, Summers afirmou sentir “vergonha profunda” por suas ações e reconheceu o dano causado à sua reputação.

Thorbjørn Jagland

Ex-primeiro-ministro da Noruega e ex-secretário-geral do Conselho da Europa, Jagland foi formalmente acusado de corrupção agravada em investigação conduzida pela polícia norueguesa. O Conselho da Europa suspendeu sua imunidade a pedido das autoridades.

Os documentos mostram que Epstein tentou, por meio de Jagland, intermediar contatos com autoridades russas. Não há evidência de que tais encontros tenham ocorrido. Advogados afirmam que o ex-dirigente cooperará com as investigações.

Continua após a publicidade

Mona Juul e Terje Rød-Larsen

A diplomata norueguesa Mona Juul renunciou ao cargo de embaixadora na Jordânia e no Iraque. Ela e o marido, o ex-diplomata Terje Rød-Larsen, são investigados por suspeita de corrupção após reportagens indicarem que o casal teria sido mencionado no testamento de Epstein.

A defesa sustenta que houve “erro de julgamento” ao manter contato com o financista, mas nega ilegalidades.

Brad Karp

O advogado deixou a presidência do tradicional escritório Paul, Weiss, Rifkind, Wharton & Garrison após a divulgação de e-mails que detalham relação próxima com Epstein. Ele permanece na firma, mas reconheceu que a repercussão pública se tornou um “fator de distração”.

Continua após a publicidade

Miroslav Lajčák

Ex-presidente da Assembleia Geral da ONU e ex-chanceler da Eslováquia, Lajčák renunciou ao cargo de assessor de segurança nacional do premiê eslovaco. Documentos revelam troca de mensagens com piadas e discussões sobre encontros diplomáticos.

Em entrevista à imprensa local, admitiu “comunicação inapropriada” e erro de julgamento.

Jack Lang

Ex-ministro da Cultura da França, Lang é alvo de investigação preliminar por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a fraude fiscal. A apuração foi aberta após reportagem do site Mediapart apontar vínculos próximos com Epstein.

Lang também deixou a presidência do Instituto do Mundo Árabe. Ele nega irregularidades e afirma que a investigação esclarecerá os fatos.

Peter Mandelson

Ex-embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos e membro da Câmara dos Lordes, Mandelson renunciou ao Partido Trabalhista e deixou seu assento na Casa após buscas policiais em propriedades ligadas a ele.

Documentos mencionam pagamentos de cerca de US$ 75 mil a contas associadas a Mandelson nos anos 2000. Ele afirma não ter registro ou memória desses valores e pede investigação. O caso gerou crise política no governo britânico e pressionou o premiê Keir Starmer.

Morgan McSweeney

Chefe de gabinete de Starmer, McSweeney renunciou após assumir responsabilidade por ter recomendado a nomeação de Mandelson como embaixador, apesar de saber de sua relação com Epstein.

George J. Mitchell

Ex-senador democrata dos EUA e mediador do acordo de paz da Irlanda do Norte, Mitchell renunciou à presidência honorária do instituto que leva seu nome. Seu nome aparece centenas de vezes nos documentos. Ele afirma nunca ter tido conhecimento dos crimes de Epstein.

Andrew Mountbatten-Windsor

Irmão do rei Charles III, já havia perdido títulos e funções oficiais em decorrência de sua associação anterior com Epstein. A nova leva de documentos inclui fotografias e e-mails, mas não traz acusações criminais inéditas contra ele. O ex-membro da família real nega irregularidades.

O premiê britânico chegou a sugerir que ele poderia prestar depoimento ao Congresso americano.

David A. Ross

Curador influente no mundo da arte contemporânea, renunciou ao cargo acadêmico após a divulgação de e-mails em que demonstrava apoio a projetos financiados por Epstein. Ele afirmou ter acreditado, à época, na versão de que o financista teria sido alvo de perseguição política.

Kathy Ruemmler

Ex-conselheira jurídica da Casa Branca no governo Obama, anunciou que deixará o cargo de diretora jurídica do Goldman Sachs até junho. E-mails mostram troca de mensagens amistosas e recebimento de presentes de Epstein após sua saída do governo. Ela afirma se arrepender de ter mantido contato.

Joanna Rubinstein

Presidente da fundação sueca do ACNUR, renunciou após vir à tona visita à ilha privada de Epstein em 2012. Disse estar “profundamente consternada” com a dimensão dos abusos revelados posteriormente.

Steve Tisch

Coproprietário do New York Giants, tem comunicações sob análise pela NFL. Ele admite troca de e-mails sobre “mulheres adultas”, mas afirma nunca ter visitado a ilha de Epstein.

Casey Wasserman

Executivo do setor de entretenimento, anunciou a venda de sua agência após divulgação de mensagens com Ghislaine Maxwell, ex-companheira de Epstein, condenada em 2021 por tráfico sexual. Wasserman afirma não ter tido relação pessoal ou comercial com Epstein.

Source link

Ultimas Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *