O outro dado decisivo da pesquisa Quaest, além da redução da distância entre Lula e Flávio

Ler Resumo
A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest expôs um cenário que já vinha sendo desenhado nos bastidores da política: a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro diminuiu de forma consistente nos últimos meses — e a disputa caminha para uma polarização quase simétrica. Mas uma informação parece ainda mais relevante, segundo análise dos colunistas: o ‘teto’ de Lula. (este texto é um resumo do vídeo acima).
No programa Ponto de Vista desta quinta, 12, apresentado por Marcela Rahal, o cientista político Mauro Paulino analisou os números e apontou dois fenômenos centrais: a estabilidade de Lula em um patamar alto e a transferência “inédita” de votos de Jair Bolsonaro para o filho.
Lula estacionou no teto?
No primeiro turno, Lula aparece com 35% a 38%, dependendo do cenário, enquanto Flávio oscila entre 29% e 30%. A diferença, que já foi de 16 pontos, caiu para cinco.
Para Paulino, o dado mais relevante não é apenas a redução da distância, mas a dificuldade de Lula em ultrapassar a barreira dos 40% com folga.
O presidente mantém liderança em todos os cenários de segundo turno — 43% contra 38% de Flávio, por exemplo —, mas permanece dentro de um limite que parece resistente a avanços mais robustos.
“O Lula tem um conhecimento praticamente unânime e uma exposição maior do que todos os adversários. Mesmo assim, permanece nesse patamar alto, porém estável”, resumiu Paulino.
A conclusão é direta: os números macroeconômicos positivos não estão sendo plenamente convertidos em percepção de melhora concreta da vida do eleitor.
Até onde vai a herança Bolsonaro?
Se Lula enfrenta um teto, Flávio experimenta uma transferência de votos considerada fora do padrão histórico.
Segundo Paulino, a migração automática do eleitorado bolsonarista para o filho é algo raro na política brasileira. “Essa transferência não costuma ser tão automática quanto estamos observando agora”, afirmou.
O crescimento, contudo, começa a mostrar sinais de desaceleração. Ainda assim, a candidatura de Flávio se consolida como o polo competitivo da direita, mesmo antes de apresentar programa ou estrutura formal de campanha.
A incógnita permanece: qual é o teto de Flávio? Até onde a força do sobrenome supera a rejeição herdada?
O país dividido pelo medo?
Outro dado revelador da pesquisa é o recorte emocional do eleitorado.
Quando perguntados sobre o que mais os preocupa, 44% dizem temer a volta da família Bolsonaro ao Planalto. Já 41% afirmam temer a permanência de Lula.
A diferença está dentro da margem de erro, mas o simbolismo é forte: o país permanece dividido praticamente ao meio, inclusive no medo.
“Essas perguntas dicotômicas mostram como a população brasileira se divide quase simetricamente”, analisou Paulino.
São Paulo pode decidir?
O Instituto Paraná Pesquisas mostrou um cenário ainda mais desafiador para o Planalto no maior colégio eleitoral do país. Em São Paulo, Flávio aparece numericamente à frente de Lula — 37,8% contra 33,7% — dentro da margem de erro.
A tendência, segundo Paulino, é histórica: o interior paulista tem perfil mais conservador e tradicionalmente favorece candidaturas à direita. Lula pode vencer na capital, mas enfrenta resistência no interior.
Num cenário nacional acirrado, São Paulo volta a assumir papel estratégico — não apenas pelo tamanho do eleitorado, mas pela capacidade de influenciar a política.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.
