O jogo do Centrão que favorece Lula e complica a direita

O jogo do Centrão que favorece Lula e complica a direita

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A corrida presidencial começa a ganhar contornos mais nítidos longe dos palanques e mais perto das mesas de negociação. Nos bastidores, os grandes partidos do Centrão já deram sinais claros de que não atuarão como blocos homogêneos em 2026. Ao contrário: cada estado terá sua própria lógica, seus próprios acordos e, sobretudo, seu próprio preço político (este texto resume trechos do vídeo acima).

Essa fragmentação interessa diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vê na divisão da centro-direita uma oportunidade para enfraquecer adversários antes mesmo da campanha engrenar. Para o Planalto, o cenário ideal passa por enfrentar um candidato identificado com o bolsonarismo — e não alguém capaz de unificar o campo adversário.

Por que o Centrão não fala a mesma língua?

Segundo o editor de Política da VEJA, José Benedito da Silva, em participação no programa Ponto de Vista, a fragmentação é um dado objetivo. Partidos como PSD, Republicanos, União Brasil e Progressistas caminharão divididos, conforme interesses regionais.

 

O PSD, por exemplo, ocupa ministérios no governo federal, mas já está alinhado com Lula em estados estratégicos como Bahia, Mato Grosso e Amazonas. No Rio de Janeiro, a tendência também é seguir com o presidente, acompanhando a candidatura de Eduardo Paes.

Como o Republicanos entra nesse tabuleiro?

A lógica se repete no Republicanos. Em Pernambuco, um dos colégios eleitorais mais relevantes do Nordeste, o partido tende a apoiar Lula por meio da aliança local que envolve o ministro Silvio Costa Filho e o prefeito João Campos. O resultado é um partido formalmente de centro-direita, mas pragmaticamente integrado à base governista em estados-chave.

 

Esse padrão — apoio nacional difuso e alianças locais negociadas caso a caso — deve se repetir também no União Brasil e no PP, dificultando qualquer tentativa de coesão automática contra o Planalto.

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Por que Tarcísio era visto como o unificador?

Nesse cenário, o nome do governador paulista Tarcísio de Freitas surgiu, nos últimos meses, como a grande aposta de setores do mercado, do agronegócio e do empresariado. A avaliação era simples: sem o sobrenome Bolsonaro, com perfil técnico e discurso pró-economia de mercado, Tarcísio teria condições de atrair esses partidos fragmentados e reduzir as fissuras internas.

 

A aposta, no entanto, perdeu força à medida que o governador reforçou o discurso de que disputará a reeleição em São Paulo — ainda que, nos bastidores, a pressão para uma candidatura presidencial continue intensa.

Por que Lula prefere Flávio Bolsonaro?

Para o Planalto, o cenário ideal é outro. Lula aposta que uma candidatura de Flávio Bolsonaro facilita a estratégia de dividir a centro-direita. O sobrenome Bolsonaro, embora garanta votos fiéis, amplia resistências em setores moderados e dificulta alianças amplas.

 

Com Flávio na cabeça de chapa, o governo pode operar no varejo: negociar apoio estado por estado, oferecer espaço em chapas majoritárias, acenar com vagas ao Senado e fragmentar os grandes partidos por dentro. É um jogo que Lula conhece bem — e já venceu outras vezes.

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O que está em jogo para a direita?

A ausência de um nome consensual mantém a oposição em compasso de espera. Enquanto isso, o governo ganha tempo, articula alianças regionais e observa a direita se dividir entre lealdade ao bolsonarismo e pragmatismo eleitoral.

 

Como resume José Benedito, o Planalto torce para que Flávio seja o único candidato viável da direita. Não por subestimá-lo, mas porque, diante dele, o xadrez do Centrão fica muito mais fácil de jogar.

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

 

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