Sinal claro do BC sobre corte de juros chama atenção de analistas, que fazem apostas para março

Sinal claro do BC sobre corte de juros chama atenção de analistas, que fazem apostas para março

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Ao manter a taxa de juros inalterada em 15% ao ano, nesta quarta-feira, 28, o Banco Central (BC) repetiu o que fez nas quatro reuniões anteriores do seu Comitê de Política Monetária (Copom), mas com uma diferença. A autoridade monetária foi bastante clara em relação aos seus próximos passos, sugerindo que um corte de juros na próxima reunião do Copom, em março, é provável caso o cenário econômico não apresente grandes mudanças.

“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião”, diz o comunicado publicado hoje. Parte dos analistas do mercado financeiro foi surpreendida com essa frase e, independentemente disso, todos fazem suas apostas sobre o que pode ocorrer daqui dois meses.

O economista-chefe da Genial Investimentos, José Marcio Camargo, é um dos que destacam a sinalização clara do BC. “Foi a parte mais surpreendente do comunicado, superando a minha expectativa inicial de que o sinal para o início dos cortes não seria tão explícito”, diz. Em comunicados anteriores, o Copom afirmava que “exige-se uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado”, o que não aconteceu dessa vez.

O que possibilitou a mudança de tom, agora mais brando, foi a avaliação por parte da autoridade monetária de que as ações tomadas até aqui colocaram a inflação em rota de convergência à meta, de 3% ao ano. “Reconhece a desaceleração da atividade e o arrefecimento gradual da inflação”, diz o co-diretor de investimentos da Arton Advisors, Raphael Vieira. O economista faz uma ponderação, contudo. “Mas o Banco Central segue incomodado com a desancoragem das expectativas e com a resiliência da inflação de serviços, especialmente em um mercado de trabalho ainda apertado”.

Diversas variáveis ainda instigam cautela no Copom, como o mercado de trabalho aquecido, a inflação de serviços persistente e incertezas nas economias brasileira e internacional. Por isso, o comitê também foi transparente em relação à maneira como um eventual ciclo de cortes de juros deve ocorrer: “(O ciclo) dependerá da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante”, diz o comunicado desta quarta-feira.

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Outra preocupação apontada por especialistas diz respeito à desancoragem de expectativas no próprio mercado. Isso impede que o BC tome decisões mais arrojadas para a queda dos juros, segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos. “Apesar dos avanços recentes no controle inflacionário, ainda não há espaço para uma flexibilização prematura da política monetária”, diz. Vieira, da Arton, concorda com essa avaliação: “O Copom tenta equilibrar duas forças: de um lado, há espaço técnico para começar a cortar juros; de outro, falta confiança para acelerar esse movimento sem comprometer a credibilidade do regime de metas”.

O Boletim Focus divulgado na segunda-feira, 26, reunindo projeções do mercado financeiro, já sugeria que a taxa Selic deve terminar o ano em 12,25%, portanto 2,75 pontos percentuais abaixo do nível atual. Agora, o mercado calcula qual é o tamanho mais provável para o corte de março — se ele de fato ocorrer.

“Mantemos nossa visão de que o BC cortará a Selic em 0,50 ponto percentual na reunião de março”, diz Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg. A economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Natalie Victal, também aposta em um corte de 0,50 p.p. em março, mas indica que há uma incerteza considerável sobre o tema no mercado.

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A maioria dos analistas crê em um corte de 0,25 p.p. ou 0,50 p.p. na próxima reunião do Copom, mas “a possibilidade de um corte de 0,75 p.p. também passa a ganhar alguma probabilidade”, segundo a economista, graças à queda do dólar e a dados econômicos mais fracos do Brasil.

Cortes maiores que 0,50 p.p. são tratados como uma possibilidade remota, no entanto, pois o mercado em geral não vê espaço para cortes considerados mais agressivos. Inclusive, por conta da desancoragem das expectativas. “O fato de as expectativas de inflação para 2026 e 2027 continuarem desancoradas reforça a necessidade de manter a política em terreno contracionista por mais tempo”, diz Camargo, da Genial. O corte de juros está, enfim, no horizonte, mas a Selic seguirá alta por tempo indeterminado.

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